A conta vai bater na carteira, mas o calendário pede paciência. Para quem trabalha nas universidades e institutos federais, a segunda etapa da recomposição salarial chega oficialmente em abril de 2026, com o efeito financeiro visível no contracheque de maio daquele ano. Esse movimento não foi sorte ou acaso, mas fruto direto da resistência durante a Greve Docente FederalBrasil, que durou impressionantes 86 dias entre abril e junho de 2024.
O acordo firmado por Governo Federal garantiu uma divisão em duas parcelas principais. A primeira, de 9%, já foi aplicada em janeiro de 2025, com pagamento em maio seguinte. Agora, o foco se volta para a fatia adicional que virá depois. Não se trata apenas de um aumento linear simples; há variações importantes dependendo da função exercida pelos servidores.
Detalhes dos Percentuais e Impacto Real
Aqui está o que muda especificamente. Para os professores das instituições federais, o Termo de Acordo nº 10/2024 prevê um acréscimo de 3,5% sobre a base vigente em 2025. Já para os técnicos administrativos em educação (TAEs), o termo nº 11/2024 estabelece 5% na mesma periodicidade. Pode parecer um número pequeno no papel, mas quando somado à recomposição anterior, o impacto é significativo.
O que muitos não percebem imediatamente é o ganho extra nos passos de carreira. Os aumentos vinculados aos "steps" podem chegar a índices entre 13,3% e 31,2% ao longo de 2026. Por exemplo, adjuntos e associados de nível 2 a 4 no magistério superior tiveram seus passos ajustados. Primeiro subiram de 4% para 4,5% em 2025, e agora chegam a 5% em 2026. É essa progressão que sustenta a maior parte da recuperação do poder de compra.
Negociação Entre Unões e Ministério
As portas dos gabinetes do Ministério da Educação foram batidas diversas vezes antes desses papéis serem assinados. O processo envolveu organizações como Proifes-Federação e suas entidades filiadas, incluindo Apufsc-Sindical, Adufc e Adufg-Sindicato. Eles entenderam desde cedo que a mobilização era essencial para travar esses números.
Pouco tempo depois, em 22 de janeiro de 2026, a pressão voltou. Desta vez, o ANDES-SN entregou documento diretamente ao ministro da pasta. A intenção era garantir que o combinado fosse cumprido integralmente, sem adições burocráticas que atrasassem o pagamento.
André Martins, 2º vice-presidente da Regional RS do sindicato, esclareceu pontos cruciais durante a negociação. Entre os itens que ainda estão abertos estão a entrada lateral para novos professores e o reposicionamento de aposentados. Esses temas, embora não tenham sido resolvidos no acordo salarial inicial, seguem como bandeiras de luta para as categorias.
O Que Ainda Está Pendente?
Ter o dinheiro garantido é vital, mas a estrutura da carreira segue incompleta para muitas categorias. Um dos pontos mais sensíveis é o controle de ponto no Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT). O Decreto 1590, que regula essa questão, aguarda despacho presidencial desde outubro de 2024. Sem isso, a regulação do trabalho docente fica meio arrebentada.
Além disso, existe a expectativa sobre um bônus de eficiência e produtividade. Se aprovado conforme projeto no Senado, esse valor poderá chegar a cerca de R$ 11.500 para alguns servidores até o fim de 2026. O cenário do Executivo Federal também mostra ajuste de 5% para a maioria dos cargos do PGPE a partir de abril, alinhando os planos.
Frequently Asked Questions
Quando exatamente vou receber o aumento de 2026?
O direito ao aumento começa a valer em abril de 2026, mas o valor aparecerá depositado no seu contracheque referente a maio de 2026. Isso é comum na administração pública, onde há um mês de defasagem no processamento de folha.
O reajuste vale para aposentados do ensino federal?
Ainda há pendências nesse ponto específico. Embora o acordo garanta direitos básicos, o reposicionamento completo de aposentados e aposentadas segue sendo cobrado pelo ANDES-SN e precisa de portaria específica para regulamentação final.
A greve de 2024 influenciou todos esses valores?
Sim. Os 86 dias de paralisação entre abril e junho de 2024 foram decisivos. Sem a pressão sindical organizada, o percentual de 9% para 2025 e os ajustes subsequentes para 2026 dificilmente teriam sido concedidos nessa magnitude.
Existe previsão de bônus além do salário?
Há discussões no Senado sobre bonificação por produtividade que pode somar até R$ 11.500 ao orçamento anual de 2026. Contudo, isso depende de aprovação legislativa complementar e não é garantia automática como o reajuste salarial já pactuado.