Rejeição em 2026: Lula, Bolsonaro, Michelle e Tarcísio — quem tem a menor taxa

Rejeição em 2026: Lula, Bolsonaro, Michelle e Tarcísio — quem tem a menor taxa

O mapa da rejeição e o que mudou

Os números mais recentes de agosto redesenham a corrida de 2026 e mostram por que a palavra rejeição virou a métrica-chave da temporada. A Quaest mediu queda de 57% para 51% na rejeição a Luiz Inácio Lula da Silva entre maio e agosto. É um alívio para o Planalto, mas ainda deixa o presidente acima da linha crítica dos 50%. E 58% dos entrevistados dizem que Lula não deveria tentar a reeleição. Ou seja, há espaço para recuperar imagem, mas falta convencer parte grande do eleitorado.

Do outro lado, Jair Bolsonaro subiu de 55% para 57% de rejeição e segue como o nome com maior resistência entre os principais presidenciáveis testados. O dado conversa com outra percepção captada na mesma avenida: 65% dos eleitores preferem que Bolsonaro não seja candidato e apoie outro nome. Isso importa porque o ex-presidente segue inelegível até 2030 por decisão da Justiça Eleitoral, mas ainda pauta o campo conservador e seu eleitor fiel. A dúvida não é se Bolsonaro influencia, mas como e em quem deposita esse capital.

Quem tem motivo para comemorar, apesar de um alerta amarelo, é Tarcísio de Freitas. A rejeição ao governador de São Paulo subiu de 33% para 39% no período, porém ele segue com a menor taxa entre os nomes com jogo para 2026. Baixa rejeição é um ativo raro porque amplia teto e facilita alianças. O movimento de alta acende o sinal de atenção para o Palácio dos Bandeirantes: exposição nacional e cobranças ampliam desgaste, mas ainda o colocam numa posição confortável, principalmente se houver unificação do campo de centro-direita em torno do seu nome.

Por que a rejeição pesa tanto? Eleição presidencial brasileira costuma ser corrida de dois turnos. No fim, vence quem consegue somar além da própria bolha e, sobretudo, quem consegue reduzir a resistência do outro lado. Candidato com alta rejeição enfrenta dificuldade para crescer quando a disputa se afunila. É o tipo de número que estrategistas olham antes de slogans e jingles.

O recorte nacional dos cenários de segundo turno traz um equilíbrio incômodo para os favoritos. Levantamentos do Paraná Pesquisas em agosto apontam empates técnicos de Lula com seus principais adversários em simulações nacionais. O país está dividido e oscilando dentro da margem. Pequenas mudanças de humor — economia, segurança, preço dos alimentos, sensação de rumo — podem fazer diferença real quando o eleitor ainda não fixou voto.

São Paulo como termômetro e a disputa no campo conservador

São Paulo como termômetro e a disputa no campo conservador

Quando a lupa vai para São Paulo, o filme muda. No maior colégio eleitoral do país, Lula perderia hoje para os três principais nomes do campo conservador testados pelo Paraná Pesquisas. Contra Jair Bolsonaro, o placar seria 47,7% a 39%. Contra Michelle Bolsonaro, 46,5% a 39,8%. E contra Tarcísio de Freitas, a desvantagem ficaria ainda mais clara: 50,4% a 37,6% para o governador.

São Paulo pesa porque é onde há mais votos, maior atividade econômica e um eleitorado que historicamente cobra gestão e agenda de investimentos. O recado desses números não é que a eleição terminou — está longe disso —, mas que a trilha para Lula passa por reduzir perdas em SP e segurar vantagens em redutos tradicionais, como o Nordeste. Já para a oposição, vencer em casa, no território paulista, é quase condição para construir uma narrativa de virada nacional.

Esses dados também jogam luz na briga silenciosa pela cabeça de chapa no conservadorismo. Interlocutores do entorno de Bolsonaro relatam que o ex-presidente hoje se inclina mais por Michelle do que por Tarcísio. A leitura é pragmática: com Michelle, Bolsonaro preserva maior controle do movimento e evita ser eclipsado por um aliado que, se eleito, passa a comandar a agenda. Na outra ponta, empresários e setores do centro veem Tarcísio como um perfil “executivo”, com potencial de diálogo e baixa rejeição relativa — o que facilitaria acordos estaduais e palanques amplos.

O problema — bom para quem quer a indicação, ruim para quem precisa decidir — é que os dois mostram desempenho competitivo. Michelle tem potencial de mobilizar o eleitor evangélico e o núcleo duro do bolsonarismo, com apelo emocional e discurso de costumes. Tarcísio oferece cartão de visita de gestão, obras e diálogo com o mercado, além da máquina paulista nas mãos. A diferença, por ora, está no teto de resistência: Tarcísio sofre menos rejeição, o que aumenta sua viabilidade num segundo turno amplo. Mas isso é fotografia de agosto, não o filme inteiro.

O fator Bolsonaro segue central. Mesmo inelegível, seu endosso organiza a fila. Se optar por Michelle, cria uma candidatura com forte identidade de base e potencial de coesão do PL. Se migrar para Tarcísio, entrega a chave do campo para um perfil de centro-direita com trânsito mais fácil em coalizões. O risco para ele é perder protagonismo num eventual governo que não seja o seu. Esse cálculo político, hoje, explica o impasse.

Para o PT e aliados, o horizonte é duplo. Em cenário de oposição dividida, Lula chega ao segundo turno com chance de repetir a estratégia de 2022: demonizar o adversário e ampliar pela rejeição do outro lado. Em cenário de unificação conservadora, especialmente com Tarcísio, a cobrança será por entregas concretas: renda, emprego, queda de inflação percebida no mercado, expansão do Minha Casa, Minha Vida e obras que cheguem às capitais e ao interior. Governo com agenda clara tende a reduzir ruído e, por tabela, a própria rejeição.

Vale um parêntese sobre números e método. Pesquisas são retratos do momento, não previsões do resultado final. Mudanças econômicas, crises de segurança, escândalos e até movimentos internacionais podem virar o humor em poucas semanas. Ainda assim, tendências repetidas em diferentes institutos costumam apontar direções. Aqui, três linhas se destacam: Lula melhora, mas continua acima de 50% de rejeição; Bolsonaro estaciona em patamar alto; e Tarcísio mantém a menor resistência entre os principais nomes, mesmo com leve alta.

O xadrez de São Paulo ajuda a entender o resto do tabuleiro. O governador está em vitrine permanente, o que pode tanto consolidar quanto desgastar. Lula, por sua vez, precisa diminuir perdas num estado onde tradicionalmente enfrenta barreiras, ao passo que protege bastiões no Nordeste. A direita terá de decidir se vai de identidade pura (Michelle) ou de perfil gerencial (Tarcísio). O centro observa e testa pontes. E o eleitor, ainda distante do dia da urna, reage ao que é concreto: preço, emprego, serviço público funcionando e segurança no bairro.

No curto prazo, a política vai acompanhar alguns sinais simples — mas decisivos — para 2026:

  • Se Bolsonaro formaliza cedo o apoio e a quem: Michelle ou Tarcísio. Quanto antes a definição, mais tempo para organizar palanques estaduais.
  • Se Tarcísio mantém a rejeição abaixo dos rivais enquanto amplia conhecimento nacional sem perder o discurso de gestor.
  • Se Lula consegue transformar queda de rejeição em aprovação ativa, com entregas palpáveis e narrativa econômica positiva.
  • Se o campo conservador evita fragmentação, preparando um segundo turno menos dependente de alianças de última hora.
  • O efeito São Paulo: desempenho do governo paulista, obras entregues e a capacidade de converter popularidade local em voto nacional.
  • Eventos imponderáveis: choques de preços, crises de segurança, decisões judiciais e fatos políticos capazes de deslocar preferências rapidamente.

Até aqui, o recado das urnas virtuais é direto: ninguém sobrou, mas alguns largam melhor. Lula se recupera, porém segue sob vigilância do eleitor. Bolsonaro conserva força de liderança, mas com um teto baixo para crescer. Tarcísio surge como o conservador mais viável pelo conjunto da obra — menor rejeição, vitrine paulista e trânsito no centro. E Michelle, caso entre no jogo com o selo do marido, vira fator real de mobilização e disputa de rua. A fotografia é de agosto. O roteiro, como sempre, será escrito ao vivo.